07 novembro 2009

Ela

Ela não tem cenário.
Vejo-a desfilando pela rua, despertando atenções e atrações explosivas.
Ela não é comedida. Algumas vezes percebo-a, insinuante, no escritório: copa, corredores e escadaria.
Ela não pede favores à ninguém, tampouco permissão para coisa alguma.
Ela não almoça na sua casa para não ter que lavar a louça depois.
Ela não compreende a eternidade, sua mente só alcança o que pode tocar com a mão e, vampiresca, ela sempre alcança o seu coração para despedaçá-lo. E para despedaça-los todos, basta um gesto. Basta um dedo convidativo.
Não se pode chamá-la porque ela tem muitos nomes, mas não costuma atender à nenhum nome específico.
Ela é metade precipício e metade perdão.
Mas não é preciso procurá-la pois sua distração favorita é caçar. Ela não faz vítimas, as pessoas é que se vitimizam.
Ela é desleal;
Infiel;
Ela é toda Traição.

(Calliope, 07/11/2009)

 
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