14 março 2011

O Talentoso Grigório Rocha


*Uma singela homenagem do blog “Crônicas de Calliope” para celebrar o aniversário do poeta e a sua arte.

Quando conheci Grigório Rocha, há aproximadamente dois anos, ele me contou que se considerava um poeta bissexto porque escrevia esporadicamente e que era um leitor assíduo do meu blog, o Poesias de Calliope. Um dia, ele me falou que leu minhas antigas publicações, que se aprofundou no meu blog e notou que minha poesia, que a princípio era muito formal, havia sofrido ao longo do tempo um “desapego às construções rimadas”. Sim, era verdade. Segredei-lhe que sempre adorei a liberdade de deitar ao papel poemas escritos em versos brancos e ele me contou que buscava a rima e que isso o deixava um pouco angustiado.

O meu primeiro contato com a poesia de Grigório Rocha foi proporcionada pelo próprio poeta que me presenteou com um recorte de revista, era uma nota falando sobre sua participação num concurso de poesias e a publicação do poema que o colocou no 2º lugar do concurso. Li e reli o poema com certa estranheza. Não consegui classificar aquele poeminha perverso cujo tema me escapava por completo. Aquilo não era um poema, era um desafio à moda da esfinge “decifra-me ou devoto-te”.  Chamava-se “Trova para o Arcanjo”.

À medida que nos conhecíamos, mais eu me aprofundava em sua arte, em seus antigos versos, trabalhados com temas curiosos como mitologia e ocultismo e o seu (des)arrumar de versos que escapavam à minha compreensão. Sugeri um dia, que o poeta criasse um blog para divulgar sua arte. Foi exatamente o que ele fez e começou a publicar velhas produções, com temas e formas muito curiosas como: “Poesia do Absurdo” (poema que dá nome ao blog), “Pathos” e “A Alma e a Luta”. Algum tempo depois, entre um poema antigo e outro, surgia de repente, no blog, um poema inédito de cunho satírico ou irônico como em Aviso ao Mercado ”, Às Armas” e no gracioso Talento. Aos poucos notei que a leitora assídua da vez era eu, sempre curiosa e atenta às publicações desse poeta do absurdo. Rapidamente, os velhos poemas foram ficando para trás, à medida que novíssimos poemas eram publicados, agora em “larga escala”. Deixou de ser um poeta bissexto. Parecia-me que o blog havia dado um novo impulso à pena desse poeta. Seus poemas foram ganhando forma, traço, estilo e força. Parecia ter notado que a poesia era uma arma potente e que através dela poderia falar a toda gente. Os temas herméticos foram dando lugar à arte de contestação, como é possível perceber no poema “Mortalha” que denuncia o tratamento humilhante que ainda hoje é dado à mulher e no belíssimo “Terra de Ninguém” cujo cunho político e humano nos toca profundamente. Enquanto construía seu estilo ia também trabalhando sua temática, sempre ousando, sem medo, e com uma sutileza muito característica como em “Soneto para Minha Rosa” poema em que o erotismo chega a ser de uma pudicícia irretocável...

Aos poucos, pude testemunhar o desabrochar de uma poesia madura, delicada, que ora brinca com o Simbolismo, ora com o Parnasianismo de um modo muito, muitíssimo peculiar como é possível verificar em “Sonetus Oniricus”. Incontáveis foram as vezes em que meus olhos se surpreenderam com a poesia de Grigório Rocha, que aos poucos, alcançou o refinamento formal e lírico tão almejado, aliando, como diria Camões, “Engenho e Arte”. O talento desse poeta, outrora bissexto, parece ter uma força e uma vivacidade inesgotáveis. E a angústia inicial pela perfeição da forma e o apuro do sentido, sem sombra de dúvida, serviu como um estímulo a mais para fazer com que o poeta se tornasse completo.

Portanto, poeta, brilhe! Tudo que você tem a fazer é brilhar, afinal de contas, é para isso que nascem as estrelas como você. E estrela que é estrela não carece de intermediário.



Foto: MJ (Arquivo Pessoal)
Mini biografia do Poeta: Grigório Rocha nasceu em 14/03/1975 e é natural de Salvador-BA. Artista plástico formado pela UFBA, especialista em Metodologia do Ensino Superior pela UNEB e graduando em Ciências Sociais, também pela UFBA. Funcionário da Embasa, é diretor de Imprensa do Sindae-BA. Publica suas poesias no blog: www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com 





 
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