07 agosto 2011

Rei Poeta

O rei poeta espera, confortavelmente, em seu trono trabalhado em ricas pedrarias. Sobre sua cabeça descansa uma esplêndida coroa fria e jóias esculpidas no mais puro ouro adornam-lhe todo o corpo: dedos, mãos, pescoço. O rei poeta segura o cetro de sua majestade e traz às costas um requintadíssimo manto de um vermelho felpudo e intenso. O rei poeta tem uma bela aparência e formas exuberantes. Entre exclamações e mesuras seus súditos o reverenciam. O rei poeta espera em seu castelo: pedestal da excelência! O rei poeta espera o mensageiro real trazer notícia de sua poesia. 

(06/08/2011) 

1 Provocações:

Grigório Rocha disse...

Na minha interpretação, essa é uma abordagem bastante irônica de Calliope sobre a arte de brilhar mais que a própria arte, de tornar a arte irrelevante em relação ao seu autor, na nossa sociedade do espetáculo, do culto à personalidade e da plasticidade vendável do produto "artista". Adoro essa maneira docemente ácida de sua crônica.

 
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