09 outubro 2011

Sobre Maçãs e Dentes

Eu gosto de maçãs duras, rígidas. Mas a minha impossibilidade de mordê-las faz com que eu as evite. Detesto ter de cortá-las e recortá-las, fazê-las em pedaços, para que se encaixem em minha boca. Detesto ter de escalpelá-las porque, em algum momento entre minha mão e a lâmina da faca, elas deixam de ser maçãs e se transformam em fruto sem cor e sem forma: só gosto no tato de minha língua. Detesto maçãs moles, macias. Fáceis demais, doces demais.
Eu gosto mesmo é das maçãs duras, rígidas. Gosto de sentir delas o vigor entre meus dedos. Gosto de cravar nelas meus dentes e fazer com que sangrem sumo ácido em minha boca. Gosto de arrancar pedaços grandes da carne e da pele da fruta e devorá-los ruidosamente... Mas, diante de minha impossibilidade de mordê-las, devorá-las inteiras, engolindo as sementes, eu as evito. Evito a dureza das maçãs inteiras, evito fatias de maçãs cortadas.

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