09 junho 2012

A Casa

A casa é a mesma e não mudou nada desde que viemos para cá. Ela envelheceu com a gente. Os sonhos se agarraram às paredes que descascaram, à espera de uma pele nova que nunca veio. Embora não pareça, o telhado foi trocado há muitos anos atrás, mas o envelhecimento é visível no aspecto entristecido das telhas e, audível, no estalar do madeiramento. 
São muitos os castigos diários a que está submetida uma casa: a chuva, o sol, o vento... o tempo e sua impassibilidade, sua inclemência. 
Ela já era velha quando viemos pra cá. Não se sabe ao certo quantas gerações ela viu crescer e mudar. Só ela não muda, é sempre a mesma casa velha.
Chove agora e as gotas que atravessam as pequenas fissuras e caem aqui dentro, sobre nossas cabeças, são doses homeopáticas compostas de lágrimas.
É velha, é bem verdade, relicário de nossas vidas, mas é ela quem guarda nossos corpos, nossas almas, nossos anseios...

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